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O irmão mais velho, o mais novo e o desconhecido. Uma relação de respeito, de caminhos, e de vidas.

Data da postagem original: 12/09/2024, 00:24:17
7 de maio de 2026 por
bolhasdeluz@gmail.com
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Ao chegar em um terreiro, você é o desconhecido, ninguém sabe a tua história, e mesmo assim, você é acolhido, ensinado, e começa a fazer parte daquela família. Então, você é o mais novo, aprendendo, errando, com medo, com inseguranças, até que um dia, outro desconhecido aparece, e de repente, você já é o mais velho, não importa o tempo, não importa o desenvolvimento. Estar ali antes, implica que você sabe mais, que você é um exemplo a ser seguido.

E o ciclo recomeça.

Ir do desconhecido ao mais novo é fácil quando se é bem acolhido, quando se é recebido com sorrisos, com compreensão, com respeito.



Afinal, os mais velhos sabem que você nada sabe, que você é novo, que é um território nunca explorado.
Eles acolhem e ensinam, respeitando o seu tempo.
Eles já estavam ali um dia, eles viveram a mesma coisa.
Mas como viver essa vida de irmão mais novo que se torna o mais velho?
Somos pessoas diferentes, com tolerâncias diferentes, não aceitamos as mesmas coisas, mas… Eu não era diferente também? E mesmo assim fui acolhido?

Ou então, se eu não fui acolhido como acho que deveria ter sido, então por que fazer o mesmo com o próximo?
Quando começamos a nos entender com algum grau de desenvolvimento é quando recém começamos a entender as coisas, é a adolescência mediúnica como gosto de falar.
Nos sentimos fortes, sentimos que entendemos, que estamos no pico da nossa mediunidade, mas podem confiar, se você sente isso em algum grau dentro do seu coração, você definitivamente ainda tem muito a aprender.

A identidade do filho mais velho:

Quem eu sou dentro do terreiro?
Quem eu sou para os mais velhos?
Quem eu sou para os mais novos?

A identidade dentro da religião nos molda para a vida.

O terreiro é de uma religião, e como qualquer religião tem um papel no desenvolvimento de qualquer pessoa dentro da sociedade, independente da sua idade, a religião exerce influência política, moral, social, e ética. Pois sempre temos algo a aprender, sempre temos onde melhorar, e esses fatores nos colocam em diversos locais dentro da sociedade além dos portões do terreiro.

O terreiro é um lugar de acolhimento, de caridade, de disciplina, de alegrias, de respeito, de fé aos guias e aos orixás.

O terreiro é um lugar de ensinamentos, de aprendizados, onde a cada passo, a cada momento nos tornamos pessoas melhores.

E o que é ser uma pessoa melhor?

Essa é uma pergunta difícil de responder, mas acredito que podemos começar buscando melhorar em como lidar com a espiritualidade, com os membros da comunidade, quem somos dentro dessa comunidade, e por último, mas não menos importante, conosco sozinhos.

A seriedade do trabalho religioso jamais pode se perder mesmo quando tratada com leveza.

Quem vem de fora, vem para buscar algo.

Vem buscar axé, compreensão, uma palavra, um abraço, um sorriso, um conforto.
Ninguém vai ao terreiro à toa, ninguém entra em solo sagrado por nada.
Alguém o levou até ali, seus pais orixás, caboclos, pretos velhos, crianças, exus e pombagiras.

É acolhimento e respeito.

Saber se comunicar, saber impor os próprios limites, saber ultrapassar os próprios limites, saber enfrentar pessoas que vão nos colocar à prova, nos expor a desconfortos, mas que estão ali para serem atendidas, e após isso irão embora, ou quem sabe ficar e continuar aprendendo com você e sua família religiosa que agora também é a dela.

Não é engolir sapos, ou se deixar ser pisado. É saber o lugar de cada um naquele momento da sessão.

Lembrar que estamos ali nos doando não para nos incorporarmos porque é bom, a incorporação é sim benéfica para nós, mas é principalmente um atendimento.

O desenvolvimento da mediunidade de incorporação é algo para a comunidade religiosa, não é algo egoísta.

Pelo contrário, é um ato extremamente altruísta de doar seu tempo, sua energia, seu suor, seu corpo para que a ancestralidade possa vir à terra transmitir sua mensagem e cuidar do seu povo.

Estamos ali nos doando para os trabalhos que um dia recebemos, e hoje, passamos adiante, com nossa gratidão e dedicação para quem agora também precisa.

A sessão é um momento de atendimento ancestral.

Para pessoas que buscam uma resposta, um colo, e até mesmo um puxão de orelha.

E quem somos hoje, como mais velhos, é quem os mais novos devem se inspirar.

Um terreiro não se fecha aos desconhecidos.

O terreiro é uma porta aberta a quem precisar, e estiver disposto a aprender, crescer, e melhorar de acordo com as doutrinas, fundamentos, e ensinamentos daquela casa.

E estamos ali a quem mais somos importantes, que é o desconhecido que volta no final do ciclo, iniciando o seu próprio, agora ele que está te olhando nos olhos, com o mesmo olhar perdido que um dia olhastes.

Agora você quem está de branco, com as guias, orientando a ficar tranquilo, à vontade, e sentar-se que os trabalhos vão começar.


Então eu pergunto.

Quem você é dentro do terreiro?
O que o mais novo está aprendendo com você?
O que um desconhecido vê quando chega para receber atendimento na casa da sua ancestralidade?
Uma reflexão nesta noite poluída para clarear pensamentos, já fazia tempo que eu não trazia essas abordagens.

Uma boa noite, misamores!

bolhasdeluz@gmail.com 7 de maio de 2026
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