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Assédio, Proteção do Médium e o Papel da Cambonagem

21/04/2024
11 de maio de 2026 por
bolhasdeluz@gmail.com
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Vamos falar um pouquinho sobre o que aconteceu no cruzeiro, quero reforçar algumas questões, sei que algumas das situações que vou falar foram feitas já, mas quero reforçar a todos alguns funcionamento a respeito da segurança de uma gira.

Não sei se todos perceberam, mas além do desrespeito com os exus e o trabalho que estava sendo realizado, que foi o que causou o Sr. Tranca Ruas a negar bebida inicialmente, coisa que nunca tinha acontecido. Tivemos pelo menos dois casos de assédio, o último sendo na frente do Sr. Tranca, que foi o que causou ele expulsar a pessoa fisicamente dali.

Dito isso, se ocorreu com mais alguém que não chegou a me contar e queira dizer, sinta-se à vontade para me chamar para conversarmos.

Infelizmente, o assédio está em todos os lugares e inclusive dentro dos terreiros. Já testemunhei em todos os formatos, com homens, mulheres, gays, cis/trans, mas sabemos que em sua maioria ocorre com mulheres, e foi com elas que aconteceu ontem, então irei me concentrar nesse cenário.

Médium desincorporado, tamboreiro, consulente em atendimento, "exu", todos estes eu já testemunhei (e fui vítima) deles desrespeitando as pombas giras e os corpos de seus cavalos, desde no olhar, até aproximações indesejadas.

A primeira orientação é: deixem as pombas giras reagirem, não as tranquem. E se por acaso não tiverem ainda autonomia dentro da incorporação para isso e se sentirem "presas", busquem ajuda, nem que precise sair da incorporação forçadamente para isso.

Exus e guias de Umbanda quando incorporados no geral não vão ter a mesma atenção a questões físicas que nós. A incorporação é um limbo e o médium está em transe, mesmo o consciente não vai ter a mesma noção de mundo, de espaço, de riscos, de tempo. E se tiver, a reação se torna quase inexistente por causa do transe da incorporação, nós perdemos esses reflexos. Quando no desenvolvimento se pede cuidado com o cavalo, estamos falando da energia, da intensidade, de regular melhor, pois está demais para o corpo físico e está gerando risco de queda, nervosismo, poder bater em outras pessoas justamente por causa dessa falta de noção de espaço e controle do corpo que o guia está aprendendo a trabalhar em terra.

Quando falamos para ter sempre alguém acompanhando a entidade não é somente para servir, mas para cuidar da matéria, zelar pela segurança enquanto a entidade se preocupa com o trabalho que ela veio em terra fazer. É correr na frente para tirar um caco de vidro do chão, é pedir licença e apagar a saia pegando fogo, é parar um carro, é ajudar ele a desviar de algo se preciso for.

Com isso, entramos na Cambonagem que é um dos pilares do terreiro junto com o pai de santo e o tamboreiro. Ele é os olhos do pai de santo, ele é o braço direito e esquerdo. Ele mantém a ordem material dos trabalhos, ele tem autoridade para reposicionar as entidades, tem autoridade para conduzir a assistência, para orientar, para ensinar. O papel do Cambono é garantir o bom andamento da sessão. Todos podem e devem ajudar na cambonagem. Mantendo ela fluida para que os guias se preocupem apenas no trabalho espiritual.

Com isso, voltamos no trabalho de proteger os médiuns e manter o bom andamento da sessão. Então, na situação que tínhamos ontem, o cara não aceitou ir pelo amor, e foi pela dor, o Sr. Tranca Ruas expulsou ele fisicamente. A partir desse ponto, todos que estavam desincorporados já tinham toda a autorização de manter ele fisicamente longe das entidades, inclusive do exu da casa, para proteger a matéria e o bom andamento, pois o que os exus poderiam fazer, já foi feito.

Essa leitura de riscos pode ser feita por vocês, viu que a entidade parou de falar, que mandou embora e a pessoa não foi, e ela está de alguma forma alterada, peçam licença ao guia e intervenham.

Sobre a nossa casa: Pessoas que beberam ou usaram algo de modo geral não entram no terreiro. A orientação é sempre que volte outro dia de cara limpa para receber ajuda.

O terreiro não é um privilégio para quem achamos merecedores, é uma oportunidade, de crescimento, de aprendizado, e algumas coisas vão caber orientação, pois a espiritualidade vai dar a chance, mas se preciso for, vai ter expulsão como aconteceu ontem, e até mesmo da própria corrente, o que espero que nunca precise.

Porque a caridade espiritual não tem limite, ela vai buscar ajudar, mas a nossa, a carnal, tem. Então quando um caso sai do que o corpo e a matéria aguentam em termos de riscos, desgaste, a ajuda vai para o plano espiritual somente.

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