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Carnaval, Mediunidade e o Trabalho de Exu

09/02/2024
11 de maio de 2026 por
bolhasdeluz@gmail.com
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Boa tarde, meus amores! Período de carnaval! Momento onde o povo vai para as ruas, cantar, dançar, brincar e se divertir!

A umbanda não condena a vida carnal, a humanidade, os prazeres, as vaidades, entre tantas outras coisas. Não há receio em aproveitar a experiência maravilhosa que é viver, não há receio em errar, em falhar, em tropeçar além da dor da nossa própria queda. Trazemos uma relação de causa e consequência com nossa espiritualidade, e uma relação individual com os nossos guias. Sabemos nossas fraquezas, sabemos nossas dificuldades.

Para alguns, beber demais é um problema, para outros é apenas uma ressaca. Para alguns, viajar é um gasto, para outros é fugir dos problemas que devia estar enfrentando.

E o peso de cada decisão são vocês que precisam aprender, se conhecer, respeitar e confiar em seus guias. Para quem já os conhece, já sabe como eles puxam as suas orelhas. Trabalhar com a Umbanda é entender até onde podemos ir, até onde nós aceitamos e até onde os nossos guias aceitam. Eu sei o que Pai Xangô não admite, eu sei o que causaria decepção no meu Exu.

Algumas casas têm uma doutrina de "soltar os exus pro carnaval", essa doutrina é normalmente vinculada à feitura de Exu "catiço", onde Exu é feito para trabalhar e obedecer, se não fica sem bebida, fica sem comer, o Orixá prende ele. Nessa doutrina, os Exus são soltos para fazer o que quiserem, "aproveitar" o carnaval.

Para nós isso não faz sentido, nossos Exus são livres, e não catiços.

Outras casas, ou melhor, pessoas, usam o período de carnaval para pedir o mal, pois além da alegria temos também o abuso de substâncias lícitas e ilícitas, crimes e acidentes acontecendo. Ao mesmo tempo em que muitos saem para ser feliz, outros saem para serem vis.

O carnaval é o melhor de dois mundos, a leveza da alegria do povo, e o peso da dor daqueles que são afetados por irresponsabilidades e maldades.

É aqui que nossos Exus entram, nossos Exus são feitos em seus assentamentos, ali a força deles é plantada e se torna uma "bateria", mas nós também somos, nossa energia é doada para eles especialmente nas incorporações. Mas além de serem nossos Exus guardiões, que cuidam de nós e dos nossos, eles ainda são Exus livres, eles ainda são de cruzeiro, de cemitério, de mato, de praia. Eles ainda atuam nas ruas, e nessa época, o nosso trabalho como médium é o resguardo de ter maturidade, sermos responsáveis em nossas alegrias. Porque tem muito trabalho no astral, muita alma vindo, muita alma sendo salva, muito obsessor agindo. E eu não falo isso para preocupar vocês, todo mundo aqui é bem seguro e firmado. Mas para entenderem o que acontece no astral nessa época e o motivo de fazermos uma limpeza depois do carnaval.

Então lembrem sempre, não só no carnaval, que beber e fumar não é momento de ouvir intuição, são alteradores de consciência e torna vocês instáveis e suscetíveis. Não se conectem com estranhos nas ruas, se sentirem algo, não fiquem buscando entender, ou sentir mais. Mediunidade não é brincadeira, não é X-Men.

Se preservem, não briguem, não se arrisquem, não abusem. Os nossos Exus já têm muito trabalho nas ruas, não vamos dificultar mais para eles!

Vocês são médiuns, cada um com suas potencialidades, e o que faz de vocês bons médiuns é saber lidar com o mundo espiritual com naturalidade e com maturidade.

As ruas, em qualquer época do ano, não é lugar para falar com estranhos. Por mais intrigante que ele possa ser.

O ponto mais seguro de contato é a casa de vocês e o terreiro.

Porque em nenhum dos dois entrará ninguém que Seu Tranca Ruas, ou os Exus de vocês não permitam.

Então tirem as guias, vistam as seguranças em ferro, e quem for pular carnaval, seja feliz, cante, sorria, se divirta e viva a alegria de estar vivo.

E aproveitem para se emocionar vendo as nossas tradições sendo cantadas e gritadas nas ruas, porque o samba é do povo, e o povo é da macumba.

Viva a honra que é estar aqui sabendo que não anda só.

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