Cosme e Damião, erês, ibejada, crianças, encantados... Tantos nomes, tantas formas...
Às vezes com nome de criança, como Pedrinho, Mariazinha, Laurinha, Joãozinho, outros com nomes mais elementais que referem mais diretamente à linha dos seus Orixás, como Borboletinha, Flechinha, Foguinho, Gamelinha, Trovoada, Espadinha, Ventania, Pombinha Branca, Tupãzinho e por aí vai. Laurinha mesmo já disse que o outro nome dela é Bolhinha.
Elas não têm como ser a nossa criança interior, afinal, para nós, são outro ser, outra história. Mas elas brincam com nossa criança, elas trazem nosso passado para brincar, para curar, para atender, para acolher. As crianças na Umbanda, além de cuidar das crianças em terra e das grávidas, elas cuidam de todos nós, brincando. É dito e redito que feitiço de criança nem exu desfaz.
É preciso saber lidar com eles, assim como com todas as linhas, entender que são guias e devem ser respeitados, mas também são crianças e devem brincar, se sujar, gritar, jogar, mas devem ser cuidados também, para não se machucarem, se magoarem, entristecerem. Devem ser protegidos.
Quem cuida das crianças em terra são os caboclos e os pretos velhos em primeiro lugar. Médium não briga com cosme, não xinga cosme, não ameaça com castigo, apenas orienta e conversa quando necessário. E tampouco o médium incorporado se envolve e limita as coisas.
São as crianças que nos ensinam a ser feliz, que nos ensinam a intensidade, a alegria, o amor.
É uma linha de trabalho extremamente importante, que vem pouco, mas vem para fazer a diferença.
Traz uma pureza, uma paz, uma euforia que cuida de nosso coração, de nós, da criança que um dia fomos, e muitas vezes, esquecemos.
Ibeji: É um único orixá, mas são duas forças, as únicas que são crianças. Ele que irradia a linha de trabalho em que as crianças vêm. Como Orixá, apenas Xangô e Oxum são cultuados como sendo crianças, sendo Xangô Ibeji e Oxum Ibeji, que vêm juntos, sendo um só. Como cosmes, todos os Orixás têm as suas crianças, assim como os entrecruzamentos dos caboclos.
Então, a Erê Ventania é um Ibeji de Iansã, a Laurinha é uma Ibeji de Oxum, Erê Espadinha é um Ibeji de Ogum, Pedrinho é de Xangô. Quando eles vêm com nomes "terrenos" eles se identificam por comportamento, se referindo ao Orixá da linha que trabalha como Paizinho, Mãezinha, etc.