Quando vocês encontram textos sobre Exus se referindo como Exus de Orixá X ou Y, que trabalham naquela força, são Exus de Umbanda, feitos apenas em ervas, e Exus catiços também, feito em axorô mas controlados pela Umbanda.
Esses textos trazem uma interpretação de Exu que para nós não funciona.
Nossos Exus são Exus de Quimbanda, eles vão ser um Exu de Mato, Exu de Praia, Exu de Almas, Exu de Estrada, etc.
Não irão encontrar muito da Quimbanda com a Umbanda do nosso jeito porque nós viemos da tradição oral. A tradição que mais se encontra hoje em dia é a escrita de São Paulo.
Não trabalhamos com "Maria Padilha falange da linha de Oxum".
É Maria Padilha das Almas, do Cruzeiro, do Cabaret, das Sete Encruzilhadas.
Nossos Exus todos são da força das ruas, da Quimbanda, sua própria força regida por ele mesmo, e guardada por Ogum Megê.
Exu já diz em seu próprio nome, ele é Exu de Exu. Assim como nossos caboclos, Xangô, de Xangô. Ogum, de Ogum. Oxum, de Oxum.
Eles não são mandados de Orixá, servidores, escravos, catiços de Orixá, eles não são soldados de caboclo, guardiões de um Criador Supremo.
Eles não precisam de ninguém além de Exu, de Bará regendo os seus trabalhos. Ogum entra pois ele também é o senhor das estradas, e porque é o entrecruzamento da Umbanda, para quem pedimos licença para ir na rua trabalhar com Exu.
Nossos Exus têm um culto completamente deles, a Quimbanda. Não dependem, e não são subordinados por uma ordem "cósmica" hierárquica.
Os Exus na nossa casa são cultuados lado a lado. Umbanda e Quimbanda. Quimbanda e Umbanda.
Cada uma com sua forma de trabalhar, cada uma com seus ensinamentos.
Alguns aqui terão caboclos mais rígidos, e que irão sim tratar os próprios Exus com mais doutrina, com mais regras. Mas essa é a espiritualidade de vocês, e ela só irá se mostrar com o passar do desenvolvimento.
Não coloquem os Exus de vocês em uma caixinha, em uma prisão, não procurem um Orixá na rua onde corre o axorô que Tranca Ruas das Almas fez, pois lá irão encontrar apenas Ogum Megê e Bará.
Deixem os Exus de vocês se apresentarem, permitam sentir eles, permitam-se ficar perdidos, confusos.
Então cuidem, não se doutrinem com textos, perguntem se é nosso, perguntem se faz sentido para nossa Umbanda.
Estudem para saber mais, para conhecer as diferenças, a riqueza, a diversidade.
Mas macumba se aprende na macumba.